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Overlap – Proteção para as rodas.

Mitos e verdades

Parceiro de notícias // Via Portal da Blindagem. Acesse -> www.portaldablindagem.com.br

Na blindagem automotiva, um dos pontos mais polêmicos diz respeito ao Overlap. Para começar a clarear esse ponto, porém, é necessário primeiramente entender tal nomenclatura. Overlap traduz-se literalmente como sobreposição, e sobreposição é essencialmente a base para uma blindagem segura, não devendo ser considerada algo que se possa escolher entre ter ou não ter. Ele tem que estar presente sempre que houver uma descontinuidade do material resistente, isto é, as faixas de vulnerabilidade, também conhecidos por “gaps”, ocorridos entre o fim de um material resistente e o começo de outro. São pontos que devem ser protegidos por um dispositivo de transição.

Esse dispositivo, além de cobrir e proteger os gaps, deve também se estender sobre as extremidades de ambas as partes a fim de que essa proteção seja efetiva. A extensão dessa sobreposição deve ser definida pelo engenheiro projetista, que levará em conta diversos fatores, mas principalmente as características dos materiais envolvidos. Por exemplo, a aramida é muito flexível e maleável, portanto sobreposições (ou overlaps) que envolvam a aramida deverão possuir maior extensão do que as sobreposições que envolvam materiais mais rígidos, como o aço.

Overlap Proteção para as rodas

O termo Overlap trata de um conceito importante na definição de um projeto de blindagem, não devendo ser simplesmente tomado como a designação de um determinado componente desse projeto. Nesse contexto, o que se questiona é o que o mercado do setor de blindagem entende por overlap, frame ou inserto, geralmente tratado com gritante superficialidade técnica. Digo assunto no singular porque, conceitualmente, todos os termos acima dizem a mesma coisa, ao mesmo tempo em que, com maior precisão técnica, não querem dizer nada, pois não se tratam de termos consagrados nos dicionários de referências técnicas, mas cunhados internamente por empresas blindadoras para designar os seus próprios processos.

A partir daí, os termos fugiram e ganharam o mercado, passando a ser tratados como nomenclaturas universais. Isso poderia até ser útil, se possível fosse se ater a essas simplificações. Nesse caso, as simplificações desinformam, o que é extremamente perigoso quando o ponto central é a segurança. Para o mercado de blindagem, overlap, frame e inserto são as proteções (sobreposições) aplicadas nos perímetros dos vidros blindados, mais especificamente nos vidros das portas laterais. E aí é que residem as distorções conceituais.

A seguir, alguns exemplos não do que é certo, mas do que é dito nesse mercado:

Overlap:

Proteção aplicada na estrutura do veículo, visando à proteção dos perímetros vulneráveis dos vidros laterais. É considerado “avô” do frame e do inserto. É acusado de dificultar o acesso ao interior do veículo e de não ser eficaz contra disparos em ângulos mais agudos.

Frame:

Proteção aplicada na estrutura das portas, visando à proteção dos perímetros vulneráveis dos vidros laterais. É acusado de interferir na estrutura delicada das portas, dificultando a preservação do acabamento original do veículo.

Inserto:

(ou vidros com Stell): Proteção aplicada entre as lâminas de vidro, visando à proteção dos perímetros vulneráveis dos vidros laterais. É acusado de não oferecer proteção eficaz por não sobrepor adequadamente as partes contíguas. É, por alguns, também considerado o método mais moderno de proteção dessa região, pois simplifica a montagem e preserva os acabamentos originais.

Tais nomenclaturas devem ser tratadas como mitos, por algumas razões:

1

Overlap, frame, inserto, às quais agora se junta o stell não são oficiais, mas muitos as fazem parecer verdades universais por interesses nada isentos. Conceitualmente, fazendo uma concessão ao estrangeirismo, todos são overlaps (ou sobreposições, lembram-se

2

O primeiro critério a ser utilizado para se especificar o tipo de proteção mais adequado, unanimemente, é a segurança. Atendendo-se plenamente esse primeiro critério, nada contra utilizar de forma secundária os critérios acessibilidade ou estética. Sendo assim, o engenheiro definirá qual o tipo de proteção adequado com base em cada veículo. Isso porque a solução para um veículo é diferente para outro. Assim como o bom médico não permite que um paciente com pneumonia escolha entre um “xaropinho” ou um poderoso antibiótico, o bom engenheiro não deixará por conta do usuário a escolha entre um tipo de overlap ou outro. Obviamente, existirão situações em que haverá empate no critério número um, a segurança. Só então, um critério secundário, acessibilidade ou estética poderá ser empregado, sem culpa, para uma decisão coerente.

3

Uma simplificação extremamente perigosa no conceito de overlaps (ou frames ou insertos) ocorre quando aplicado apenas nos vidros das portas laterais dos veículos. Talvez seja essa a simplificação mais comum quando o assunto é blindagem veicular. Deve-se deixar bem claro que a vulnerabilidade nos perímetros dos vidros blindados ocorre em todos os vidros do veículo e não apenas nos laterais. Os overlaps são obrigatórios também nos vidros fixos laterais, para-brisa, vigia (traseiro) e outros.

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Os processos para implementar os overlaps de forma adequada nesses outros vidros é muito mais complexa (o que se traduz diretamente em custos) do que os processos para implementar os overlaps apenas nas portas laterais. Algumas empresas utilizam, indiscriminadamente, o sistema inserto (ou vidros com Stell) e “esquecem” dos overlaps nos outros vidros, simplificando assim de sobremaneira sua estrutura de custos.

Nesse universo rodeado de mitos, algumas verdades são fundamentais para que a blindagem automotiva exerça com perfeição a sua função, que é a de garantir a segurança e a integridade da vida de seus ocupantes.


  • Os overlaps devem sempre estar presentes nos perímetros vulneráreis de todos os vidros blindados.

  • A especificação da melhor técnica para obter essas sobreposições deverá ser baseada primeiramente no critério segurança, o que inevitavelmente levará a soluções diferentes para cada tipo de veículo.

  • Seja qual for a técnica adotada, seus efeitos colaterais, como interferência estética ou acessibilidade, deverão ser minimizados ou neutralizados.

  • Não se deve dar muita atenção aos termos de mercado, muito menos que uma técnica seja superior ou inferior a outra. Lembre-se, a decisão deve ser tomada com bases técnicas diante das especificidades de cada projeto.